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Alguém com uma licenciatura e um mestrado que tem de emigrar por não encontrar trabalho no seu país – onde é que já ouvimos esta história? Num movimento de “dentro para fora”, Serén filma o seu quotidiano na adaptação a um novo país, a uma cultura, a um povo – e, sobretudo, a uma nova língua. Não deixa de ser curioso que, durante o tempo em que não é fluente no sueco, o galego registe os seus monólogos interiores exclusivamente através de intertítulos escritos, passando a narrar o filme oralmente quando já domina a língua, forma quase autodisciplinadora de aprender e apreciar os costumes do país onde se encontra. Ora no fora de campo, ora filmando-se a si próprio – sem nunca cair, porém, no exibicionismo ou num certo autovoyeurismo para que alguns documentaristas tendem –, o espanhol constrói, em registo diarístico, a memória filmada – e a espaços poética – de uma experiência de desenraizamento e aproximação lenta e com os seus espinhos que a emigração é sempre, por mais que a publicidade da globalização nos queira iludir e convencer do contrário. Beneficiando de uma fotografia notável e aplicando uma noção fílmica de tempo-ritmo em perfeita harmonia com o tempo-clima e o tempo-paisagem suecos (os planos fixos e demorados não estão lá “porque sim”; é ela, a paisagem, que os reclama), o filme, mesmo na sua nostalgia, nunca se prende demasiado à ideia de uma felicidade que “ficou lá atrás”, antes apontando otimistamente, mesmo que nada em especial o prenuncie, para o que está por vir. (Francisco Noronha)
Este filme é apresentado com:
RUST
Eloy Dominguez Serén
2016, SWE, ESP, 14'