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Olhar cinco décadas de música nos programas Transmission e “O Futuro é Punk”

por Porto/Post/Doc / 26 10 2026


Na edição de 2026, a música ocupa novamente um lugar central no Porto/Post/Doc através de dois programas que a observam como memória, comunidade, confronto e forma de vida. A Competição Transmission reúne cinco documentários que atravessam diferentes geografias e momentos da criação musical, enquanto “O Futuro é Punk” regressa às primeiras décadas de um movimento que transformou a música e a cultura para pensar a permanência da sua energia política e artística cinquenta anos depois. 

Na CompetiçãoTransmission, a história da música constrói-se a partir de percursos individuais, arquivos e comunidades. “Elza”, de Eryk Rocha, recupera imagens raras e conversas dos últimos anos de vida de Elza Soares para atravessar mais de sete décadas de uma carreira inseparável das transformações do Brasil. Em “Esta Vida de Marinheiro”, Paulo Miguel Antunes revisitam João Aguardela através de filmes pessoais, concertos e testemunhos, acompanhando um músico que aproximou tradição e experimentação em projetos como Sitiados, Megafone e A Naifa. 

A criação musical surge também como afirmação e experiência coletiva. “Hex”, de Maja Holand, acompanha Nikoline, Victoria e Johanna na formação das Witch Club Satan e no pacto de dedicarem três anos a despertar o mundo e a si próprias como bruxas, transformando o black metal em espaço de performance e confronto. Já “O Melhor Verão”, de Tamra Davis, revisita imagens com mais de três décadas, propondo um olhar sobre a digressão Summersault, olhando os primeiros anos de vida de projetos nomes incontornáveis como Beastie Boys, Sonic Youth, Foo Fighters, Beck, Pavement e Bikini Kill. “Tour de Verão”, de Mischa Richter, segue Jerry e Annie na última digressão dos Dead & Company, numa viagem pela cultura Deadhead em que concertos, estrada e pertença se confundem. 

Proposta especial para este este ano,“O Futuro é Punk”regressa à força de rutura que marcou o final da década de 1970. O programa parte do cinquentenário do movimento para recuperar o punk não como objeto nostálgico, mas como uma cultura fundada na autonomia, no confronto com o estabelecido e no princípio do Do It Yourself. Entre música, artes visuais, moda e ativismo, essa atitude prolongou-se muito para lá do seu momento inicial e continua a oferecer ferramentas para pensar formas de criação e resistência no presente. 

Os cinco filmes percorrem diferentes geografias e momentos dessa história. “Punk em Londres”, de Wolfgang Büld, filmado no momento em que o movimento emergia, reúne concertos e entrevistas com nomes como Sex Pistols, The Clash e X-Ray Spex. Em “D.O.A.: Um Ritual de Passagem”, Lech Kowalski acompanha a turbulenta digressão norte-americana dos Sex Pistols, entre revolta underground, espetáculo mediático e apropriação comercial; décadas depois, regressa à memória do punk nova-iorquino em “Ei, o Dee Dee está em casa?”, numa conversa com Dee Dee Ramone sobre os Ramones, Johnny Thunders e Richard Hell. 

O programa completa-se com “Jubileu”, de Derek Jarman, sátira distópica e anárquica de uma Grã-Bretanha em colapso, e “B-Movie: Luxúria e Música na Berlim Ocidental 1979-1989”, de Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck e Heiko Lange, que mergulha na cena underground de Berlim Ocidental através de arquivos televisivos, Super 8 e gravações privadas. 

CONSULTAR PROGRAMA COMPETIÇÃO TRANSMISSION

CONSULTAR PROGRAMA O FUTURO É PUNK: 50 ANOS DE UM MOVIMENTPO ARTÍSTICO E POLÍTICO


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