A 13.ª edição do Porto/Post/Doc: Film & Media Festival realiza-se entre 19 e 28 de novembro de 2026, na cidade do Porto. Durante dez dias, reúne cineastas, público, programadores, críticos, estudantes e profissionais do cinema e dos media em torno de obras que expandem as fronteiras do cinema do real e exploram as suas relações com a ficção, o ensaio, a música e as grandes questões políticas, sociais e humanas do nosso tempo.
Onde está o cinema do real em 2026?
Esta edição renova a convicção de que é no cinema do real que encontramos algumas das formas mais livres e estimulantes de fazer cinema hoje. Num tempo marcado pela fragmentação da vida em comunidade e pelo individualismo alimentado pelos algoritmos, o festival afirma o cinema como espaço de pensamento crítico, liberdade de criação e encontro. A programação reúne retratos pessoais e coletivos em que a solidariedade, a resistência e a alegria persistem, mesmo nas condições mais adversas.
Entre lugares próximos e geografias distantes, os filmes desta edição revelam comunidades e personagens que recusam sucumbir à injustiça e à exclusão. Nos seus gestos artísticos e quotidianos reconhecemos uma inquietação comum e a capacidade de retratar, com dignidade, a vida humana. A diversidade de formas e perspetivas encontra-se nesse humanismo que atravessa a programação e faz do cinema um lugar de descoberta e confronto de ideias.
Programa Temático: “No País dos Outros”
No centro da programação está “No País dos Outros”, terceiro e último capítulo do tríptico temático iniciado em 2024 com “O Movimento dos Povos”. Depois de refletir sobre as deslocações humanas e a viagem como experiência existencial, política e histórica, o festival aproxima-se agora das questões da pertença, da identidade e da memória em território alheio.
O programa parte da experiência de viver, atravessar ou imaginar o país do outro: um espaço de encontro e tensão onde se cruzam histórias de migração, exílio, colonização, diáspora, hospitalidade e exclusão. Através de diferentes geografias, temporalidades e formas cinematográficas, os filmes interrogam como se constrói uma casa fora de casa e como se habita entre línguas, culturas e pertenças.
Focos de Autor e Programas Especiais
Esta reflexão prolonga-se nos focos dedicados a Alain Gomis, cineasta francês de origem senegalesa e bissau-guineense, e ao finlandês Jan Ijäs. Com percursos e linguagens distintos, ambos dirigem a atenção para aquilo que tantas vezes passa despercebido: em Gomis, os gestos do quotidiano, as raízes e as memórias de quem vive entre lugares; em Ijäs, o desperdício da sociedade de consumo e a forma como observamos, à distância, a dor dos outros.
A energia da resistência atravessa também “O Futuro é Punk”, que recupera filmes de um contexto histórico distinto para pensar a persistência da rebeldia, da criação e da contestação. Em “Another Story”, três filmes realizados por mulheres, com cerca de cinquenta anos, permitem redescobrir olhares que durante demasiado tempo permaneceram nas margens da história do cinema.
O Porto no Cinema
A cidade ganha particular destaque numa parceria integrada nas comemorações dos 30 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Mundial. Através de filmes realizados entre 1931 e 2025, histórias de espaços e de pessoas revelam as sucessivas transformações deste lugar e das comunidades que o habitam.
Na sessão oficial de abertura, o festival apresenta, em estreia mundial, “A Cidade e os Mapas”, de Alexandra Guimarães e Gonçalo L. Almeida, desenvolvido no âmbito da bolsa Working Class Heroes. Num tempo de gentrificação, o filme acompanha dois habitantes da cidade e percorre histórias, memórias e vestígios da classe operária, aproximando-os das condições de trabalho e de vida do presente, entre o turismo e as plataformas de entregas.
Competições, Novos Públicos e Experiências Imersivas
A programação competitiva reúne a Competição Internacional de longas-metragens e a Competição Internacional de Médias e Curtas-Metragens, dedicadas a obras que desafiam as fronteiras entre documentário, ficção, ensaio e formas híbridas. O Cinema Falado destaca a produção em língua portuguesa e as culturas lusófonas; o Cinema Novo revela novos autores portugueses; e a Transmission explora as relações entre cinema, música, som e cultura contemporânea. A estes programas juntam-se o Prémio Human Rights in Motion, que distingue abordagens aos direitos humanos e à justiça social, e o Prémio do Júri Jovem, atribuído por estudantes do ensino superior.
O encontro com novos públicos continua através do programa educativo School Trip e das sessões Docs4Teens, dirigidas a jovens espectadores. No Planetário do Porto, o Immersive Dome Cinema propõe experiências audiovisuais em formato fulldome, alargando as possibilidades de criação e de relação com as imagens e o som.
Porto Industry Days
Durante quatro dias, o Porto Industry Days reúne profissionais em torno do desenvolvimento de projetos, da coprodução e da circulação das obras. Em 2026, reforça a sua abertura à Europa, com uma participação crescente de diferentes países e colaborações com festivais, produtores e instituições nacionais e internacionais. A diversidade da programação e destes encontros beneficia também do contributo da equipa internacional de programadores associados.
Onde está o cinema do real em 2026? O Porto/Post/Doc convida o público a descobrir as suas múltiplas respostas nas salas de cinema, nos encontros e nas conversas que dão continuidade aos filmes. Entre 19 e 28 de novembro, no Porto, o cinema volta a ser um território de pensamento, resistência, alegria e partilha.