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"Ku Handza" chega aos cinemas a 25 de junho

por Porto/Post/Doc / 14 06 2026


Depois de ter sido exibido na Competição Cinema Falado do Porto/Post/Doc 2025, “Ku Handza”, de André Guiomar, estreia-se nas salas portuguesas a 25 de junho de 2026. A data escolhida coincide com a independência de Moçambique, reforçando a dimensão simbólica de um filme que olha para o presente do país através de três histórias marcadas pela precariedade, pela guerra, pelo trabalho e pela persistência quotidiana.

Produzido pela Real Ficção, em coprodução com a Olhar de Ulisses, “Ku Handza” é uma longa-metragem documental de produção portuguesa e moçambicana. O filme acompanha Benjamin Vilanculo, Eulália da Silva e Filimone Muchongo, três pessoas cujas vidas não se cruzam, mas que desenham em conjunto um retrato de sobrevivência, dignidade e resistência. A expressão que dá título ao filme, em língua changana, remete para a imagem de uma galinha à procura de comida e tornou-se, no contexto moçambicano, uma metáfora da luta diária pela subsistência.

A presença de “Ku Handza” no Porto/Post/Doc integrou a Competição Cinema Falado, secção dedicada à diversidade de olhares, geografias e formas do cinema em língua portuguesa. O filme foi apresentado no Batalha Centro de Cinema, em novembro de 2025, num programa que colocou em diálogo obras vindas de Portugal, Brasil, Cabo Verde e outros territórios de expressão lusófona.

A estreia em sala prolonga agora o percurso público do filme, depois de uma circulação que inclui passagens por festivais como Doclisboa, Porto/Post/Doc, IFFI Goa, Capri Hollywood International Film Festival, Festival L’Europe autour de l’Europe, International Black & Diversity Film Festival, ICJ International Film Award e Indianapolis Black Documentary Film Festival.

Com “Ku Handza”, André Guiomar continua um percurso atento às comunidades, às desigualdades sociais e às formas de resistência que atravessam territórios aparentemente periféricos. Depois de “A Nossa Terra, o Nosso Altar”, centrado no Bairro do Aleixo, no Porto, o realizador desloca o seu olhar para Moçambique, país com o qual mantém uma ligação de vários anos, procurando dar visibilidade a vidas frequentemente afastadas do espaço mediático.

A estreia comercial de “Ku Handza” constitui, assim, uma nova oportunidade para acompanhar um filme que passou pelo Porto/Post/Doc e que reafirma a importância do documentário como espaço de escuta, representação e pensamento crítico sobre o mundo contemporâneo.


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