Foco Porto/Post/Doc 2016: Sensory Ethnography Lab

por Daniel Ribas / 15 09 2016


A programação do 3.º Porto/Post/Doc está a ser preparada nos últimos meses. Para além da competição e outras secções habituais (Transmission ou Teenage), o festival dedicará dois focos: um ao Sensory Ethnography Lab (SEL) e outro ao cineasta brasileiro Eryk Rocha. Estes dois focos vão permitir divulgar em Portugal dois corpos de trabalho fundamentais do cinema documental contemporâneo. Em especial, o foco dedicado ao SEL será transversal ao festival, já que um dos temas dominantes desta edição será o “cinema sensorial”. Estarão presentes no festival os realizadores Véréna Paravel e Lucien Castaing-Taylor (este último também diretor do laboratório).

O SEL é um laboratório que combina a pesquisa etnográfica sensorial e o cinema. Este laboratório está integrado na Universidade de Harvard e promove tanto cursos dedicados à antropologia e etnografia como um doutoramento “Media Anthropology”. No contexto deste laboratório têm sido produzidos diversos filmes documentais com uma filosofia comum: a aproximação etnográfica e sensorial às comunidades que são filmadas e, a partir desse pressuposto, a construção de um cinema sensorial, em que a imagem e o som têm uma mesma importância.

De entre os filmes produzidos pelo SEL, aquele que se tornou mais conhecido foi Leviathan, corealizado por Véréna Paravel e Lucien Castaing-Taylor. O filme procurava, de uma forma surpreendente, ter um novo ponto de vista sobre a vida dos pescadores e o ofício da pesca. Utilizando todos os novos recursos digitais, Leviathan tornou-se um exemplo paradigmático de um cinema sensorial contemporâneo, pela proximidade do ponto de vista da câmara às práticas diárias daquilo que é retratado, através da utilização de câmaras GoPro (são célebres os planos em que a câmara está imersa nos peixes). A esse ponto de vista, o filme associava uma componente sonora minuciosa, permitindo uma relação nova entre o espectador e o filme.

Muitos outros realizadores e filmes foram feitos no contexto do laboratório, tendo em conta as mesmas premissas, desde o iniciático Sweetgrass, realizado por Ilisa Barbash e Lucien Castaing-Taylor, sobre a prática de pastoreio na América; como Foreign Parts, de Véréna Paravel e JP Sniadecki, sobre o fim de um quarteirão de oficinas em Willets Point, Nova Iorque; ou The Iron Ministry, de J.P. Sniadecki, numa viagem de comboio na maior linha de comboio do mundo, na China.

O método lento de aproximação aos lugares de filmagem, e a interação da câmara com o quotidiano do mundo colocam os filmes do SEL num novo paradigma digital. Utilizando técnicas etnográficas e novos dispositivos tecnológicos, estes filmes dão um novo sentido ao conceito de cinema sensorial.

O Foco Sensory Ethnography Lab será composto por sessões com alguns dos filmes produzidos no contexto do laboratório, incluindo Leviathan, assim como outros filmes escolhidos por Véréna Paravel e Lucien Castaing-Taylor.


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