A Luta de classes

por Daniel Ribas / 21 05 2018


Sobre “As Boas Maneiras”, de Marco Dutra e Juliana Rojas

O cinema brasileiro contemporâneo tem apresentado uma grande diversidade criativa. Estreado no último Festival de Locarno, "As Boas Maneiras", de Marco Dutra e Juliana Rojas, é um óptimo sinal disso. Ambientado no tempo actual, em São Paulo, o filme é uma alegoria produtiva das tensões do Brasil contemporâneo (aliás, a alegoria tem sido uma figura de estilo muito importante para entender a produção brasileira). Cruzando diversos géneros – drama, suspense, terror, comédia e musical –, "As Boas Maneiras" é um filme “disfarçado”, exigindo que o espectador reinterprete, constantemente, as mudanças súbitas do enredo. Talvez as chaves de leitura desta surpreendente história – e dos filmes que estão dentro deste filme – estejam na enorme clivagem entre as classes privilegiadas e as classes mais pobres e as tensões raciais da sociedade brasileira. Num tempo de crise, um filme radical, que exige, precisamente, que se percam as “boas maneiras” dos ricos e poderosos, para uma nova sociedade poder emergir. Será isso alguma vez possível?

Daniel Ribas
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