Onde mora o hip-hop tuga também mora amor e desencanto

por Nuno Gomes / 21 05 2018


Sobre "Hip to da Hop", de António Freitas e Fábio Silva

Em “Hip to da Hop”, ouvimos uma frase que pode sintetizar o que é – e o que foi – o hip-hop em Portugal: “No início, era só amor; depois, a coisa profissionalizou-se”. As dualidades não se ficam por aqui, e há velocidades diferentes para mentes díspares, que se espalham pelo país fora, cada uma com as suas próprias peças para este grande puzzle.

É como se, ao longo do tempo em que esta história se vai contando, ligássemos fios de uma ponta à outra para encontrarmos as respostas das questões que vão surgindo. Há conclusões, mas sobressai uma certeza: isto é, ainda, um conjunto de memórias frescas que se transforma numa reflexão colectiva. O que foi o hip-hop português? O que é? Existe, ainda, a ideia de hip-hop de quatro dimensões inseparáveis? Tome-se ou não o partido de uma das duas ideias que se evidenciam ao longo de “Hip to da Hop” – uma, fiel às origens; outra, que se diz adaptar às mudanças dos tempos –, sabe-se que o filme de António Freitas e Fábio Silva capta, em boa altura, os problemas, a ambição, as perspectivas e os olhares de quem construiu esta cultura por cá. Não há protagonistas, não há narrador; há, antes, um enleio tecido por quem, há muito ou pouco tempo, integrou uma causa: credibilizar o hip-hop em Portugal através de uma luta interna.

Por isso, ainda vemos corpos esculpidos em movimento em cada batalha de breakdance. Ouvimos o chocalhar das latas de spray, agitadas para estimular a paisagem humanizada. As palavras cantadas e rimadas em cada rap colam-se aos ouvidos. Em cada turntable, abre-se a friesta de uma nova experiência sónica. E tudo isto, claro, junto ou separado. Como quisermos. Ainda é amor.       

Nuno Gomes
Jornalista


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