Faithfull

por Carolina Rufino / 21 05 2018


Sobre "Faithfull", de Sandrine Bonnaire

Marianne Faithfull foi uma das primeiras “mulheres rebeldes”, nascida na fúria da emancipação feminina e do advento do rock, e figura central do youthquake londrino (grande explosão de sexo, drogas e rock que invadiu a capital do reino nos anos 60). “Nós todos estávamos muito apaixonados por Marianne naquela época”, escreve Salman Rushdie, no prefácio da sua fotobiografia – “Marianne Faithfull, A Life on Record”.

No documentário “Faithfull”, a realizadora Sandrine Bonnaire aproxima-se de Marianne para recordar a sua mítica vida. Uma história que teve início na noite em que, aos seus 17 anos, numa festa em Londres, conhece o produtor dos Rolling Stones, Andrew Loog Oldham, que terá decidido, naquela mesma noite, fazer dela uma estrela. O relato das suas memórias, e as emoções que acarretam (bem visíveis nos seus testemunhos), são intercaladas com registos (vídeo, fotográficos e cinematográficos) da época e de filmagens de concertos e ensaios na actualidade. Aos 71 anos de idade, Marianne ainda dá concertos e é aclamada pelo público. Faithfull teve tudo: talento, fama, influência sobre uma das maiores bandas do mundo, o amor e companhia de Mick Jagger, reconhecimento público, uma vertiginosa viagem ao mundo das drogas e toxicodependência (e dias vividos nas ruas de Londres), um não menos atribulado caminho de regresso, mas uma jornada sempre pautada pelo seu dom e pelo carinho do público.

“Sou uma actriz, desempenho um papel o tempo todo, mesmo na minha vida...”, diz numa das entrevistas de época que aparece no filme. Quantas vidas se pode dizer que tenha vivido? Quem foi, o que experienciou, que recorda, o que a emocionou e emociona... Quem é hoje Marianne Faithfull?, é o que podemos descobrir neste filme. 

Carolina Rufino
Porto/Post/Doc


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