O Trabalho: ciclo de outubro no Há Filmes na Baixa!

por Porto/Post/Doc / 26 09 2017


O Há Filmes na Baixa! aproxima-se dos seus últimos ciclos. Em outubro, apresentamos um ciclo sobre o trabalho, visto por filmes portugueses muito recentes. Ao longo dos dois dias, serão exibidos três filmes da produtora Terratreme, todos eles lidando com o impacto da crise financeira e da desregulação do mercado de trabalho. A primeira sessão será dedicada a Revolução Industrial, de Tiago Hespanha e Frederico Lobo; e a curta, Provas, Exorcismos, de Susana Nobre. No segundo dia, exibiremos A Fábrica de Nada, o filme sensação de Pedro Pinho, que teve estreia mundial no últimos Festival de Cannes.

O mercado de trabalho mudou radicalmente neste início de século XXI. A precarização, a globalização e a crise financeira obrigaram a alterações profundas nas relações de poder. Provas, Exorcismos, a curta de Susana Nobre, que passou pela Quinzena dos Realizadores (Cannes 2015), dialoga com esta situação, acompanhando um trabalhador que perde o emprego na fábrica onde trabalhava há 25 anos. Por outro lado, Revolução Industrial, de Tiago Hespanha e Frederico Lobo, que passou pelo Visions du Réel (2014), documenta o estado do Vale do Ave, um dos polos industriais mais importantes do país, olhando mutuamente para o passado e para o futuro. Em A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, o foco está na luta de um grupo de trabalhadores contra o fecho compulsivo da sua fábrica. Um filme que arrisca também na sua forma cinematográfica, imprimindo um estilo surpreendente.

Em 2017, continuaremos a propor ciclos de cinema, ao ritmo mensal, proporcionando hipóteses de descoberta de cinematografias menos conhecidas ou de filmes que merecem uma nova visibilidade. Estes ciclos, que terão uma coerência temática, irão prolongar a atividade do Porto/Post/Doc, o festival que decorre no final de novembro. 

 

Ciclo #07: O Trabalho, outubro 2017
Cinema Passos Manuel, 22:00

24 de outubro
Provas, Exorcismos, Susana Nobre
2015, PRT, 25’
Em Alhandra, entre a serra e o rio, um comboio atravessa a povoação. Óscar, quarenta e oito anos, vinte e cinco de trabalho na mesma fábrica, aguarda a resolução do tribunal relativamente ao pedido de insolvência da fábrica em que trabalhava. Com a produção suspensa e com os salários em atraso, Óscar e os seus colegas continuam a comparecer diariamente ao trabalho, na esperança de garantirem os respetivos postos. Face à confirmação do fecho, Óscar retoma o equilíbrio com o mundo ao ser admitido na fábrica ao lado.
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Revolução Industrial, Tiago Hespanha e Frederico Lobo
2014, PRT, 73’
O Vale do Ave é, desde há mais de um século, um território tomado pela imposição da indústria. Entre ruínas e fábricas em funcionamento, desce-se o rio numa viagem pelas margens do presente, desenterrando as marcas do passado.

25 de outubro
A Fábrica de Nada, Pedro Pinho
2017, PRT, 177’
Uma noite um grupo de operários percebe que a administração está a roubar máquinas e matérias-primas da sua própria fábrica. Ao decidirem organizar-se para proteger os equipamentos e impedir o deslocamento da produção, os trabalhadores são forçados - como forma de retaliação - a permanecer nos seus postos sem nada que fazer enquanto prosseguem as negociações para os despedimentos. A pressão leva ao colapso geral dos trabalhadores, enquanto o mundo à sua volta parece ruir.


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