Die Zeit vergeht wie ein brüllender Löwe

O Tempo Passa como um Leão que Ruge · Time Goes By Like a Roaring Lion

Philipp Hartmann

2013, DEU, 80', M12


Há Filmes na Baixa!

17 Mar 2015 · TM Rivoli, Auditório Isabel Alves Costa · 18H30

17 Mar 2015 · TM Rivoli, Auditório Isabel Alves Costa · 22H00


Um cineasta que sofre de cronofobia procura uma forma de desacelerar o tempo. Folha de sala Um dos aspetos que diferencia O Tempo Passa como um Leão que Ruge é o facto de se guiar por princípios matemáticos. O realizador, Philipp Hartmann, decidira prévia e exatamente a duração desta sua obra — ela teria 76 minutos e meio, e cada um destes minutos corresponderia a um ano da sua esperança de vida como homem alemão nascido em 1972. Aliás, a ideia para o filme tinha surgido quando Hartmann se apercebeu de que se encontrava precisamente a meio da sua vida, ocorrência que despoletou as seguintes emoções (confessadas no 20º minuto do seu filme, como ditam as regras clássicas da narrativa fílmica): “Exatamente no meio da sua expectativa estatística de vida, a sua vida parece voar e estar estagnada simultaneamente. Nada parece mais dar certo. Diagnóstico médico: cronofobia, o medo do passar do tempo”. Hartmann começou assim a ambiciosa aventura de realizar um filme sobre o tempo. O filme ganha contornos de ensaio filosófico, mas não cai na armadilha da materialização fílmica da ideia, nem mesmo procura uma explicação da dimensão do pensamento associada a este conceito. Hartmann opta, ao invés, por tentar aproximar-se duma fenomenologia do tempo, usando como base a reflexão sobre a sua própria vida. Dentro do tempo da sua vida estão inseridos inúmeros tempos que coexistem, memórias de infância e expectativas para o futuro, medições científicas e perceções subjetivas, viagens que trazem consigo acontecimentos, ideias, vivências, medos, projetos. Esta pluralidade temática tem consequências formais: O Tempo Passa como um Leão que Ruge mistura documentário e ficção, fotografia e filme, Super 8 e 16mm, cores e preto e branco. Todos os temas e formatos se interligam de forma orgânica, talvez com a exceção dos cinco mini-episódios de ficção — escritos por Jan Eichberg — claramente distinguidos com separadores e que se integram de forma menos subtil do que os restantes. O que mais assombra neste filme é que Hartmann consegue inserir no tempo do cinema (76 minutos é uma duração standard para documentário) todos os outros tempos que retrata. O filme segue regras muito rígidas de conceção e estrutura mas o que vemos é uma obra pessoal e livre, em que a família e os amigos são personagens primordiais. A montagem aqui é fundamental, pois intercala espaços e formas: ora Hartmann nos dá explicações detalhadas ora nos mostra apenas apontamentos de cenas que o espectador tem de construir sozinho. Em entrevista, ao falar da diversidade de suportes e significações, Hartmann revela: “o espectador tem de ser ativo. (...) Trata-se de um espectador que prossegue ativamente o filme, que o transforma em algo seu, que o completa com a sua receção e com a sua própria perceção”. O último plano do filme, que rompe as regras até então cumpridas, dá-nos finalmente fôlego para pensarmos no tempo que nos resta. No final de contas, e depois de 76 minutos e meio numa sala escura a olhar para uma tela, lembramo-nos da frase do professor de Hartmann: “é importante deixar um tempo errado passar, para esperar com calma pelo inesperado”. Lídia Queirós Porto/Post/Doc